O Fantasma (2000)

O Fantasma (2000)

Realizado por João Pedro Rodrigues

Fotografia de Rui Poças

Olhar técnico

Porquê este filme

João Pedro Rodrigues criou um dos filmes mais fisicamente intensos do cinema europeu. A câmara de Rui Poças não observa Sérgio — persegue-o, cola-se-lhe ao corpo, respira com ele. Os movimentos de câmara são animais, instintivos, como o desejo que devora o protagonista.

Cenas-chave para estudar

  • Sérgio a correr pelo lixão de noite — a câmara persegue-o em steadicam rasante, o corpo e a máquina fundem-se numa corrida predatória
  • As rondas nocturnas no camião do lixo — travellings lentos pelas ruas desertas, a câmara absorve a cidade adormecida como território de caça
  • A sequência final na lixeira — os movimentos tornam-se reptilianos, a câmara desce ao nível do chão, o humano dissolve-se no animal

O que vais aprender a ver

  • Compreender como o movimento de câmara pode traduzir o desejo e a pulsão sem recurso ao diálogo
  • Analisar a steadicam como extensão do corpo do protagonista — quando a câmara se torna personagem
  • Estudar o cinema queer português e como Rodrigues reinventou a representação do corpo masculino através do movimento

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