Terra em Transe (1967)

Terra em Transe (1967)

Dirigido por Glauber Rocha

Fotografia de Dib Lutfi

Olhar técnico

Por que este filme

Glauber Rocha não filmava — ele entrava em transe. E Dib Lutfi o acompanhava nessa loucura com a câmera na mão. O movimento aqui não é técnica — é possessão. A câmera gira, cambaleia, dança, como se estivesse tomada pelos mesmos espíritos que possuem o poeta Paulo Martins. É o Cinema Novo no seu momento mais radical.

Cenas-chave para estudar

  • ●O comício de Vieira — a câmera girando em torno do demagogo, o movimento circular como vertigem do poder, a multidão como turbilhão
  • ●Paulo Martins na praia — câmera que corre e para, corre e para, o ritmo entrecortado como pensamento febril de um poeta em crise
  • ●O baile da oligarquia — câmera que dança com os corpos, valsa e desmorona, o movimento elegante que se decompõe em caos

O que você vai aprender a ver

  • ✦Compreender como o Cinema Novo brasileiro inventou uma linguagem de câmera própria, baseada no corpo e no transe
  • ✦Analisar como o movimento instável da câmera pode traduzir estados políticos e psicológicos simultaneamente
  • ✦Estudar a influência de Glauber Rocha na câmera contemporânea — de Padilha a Iñárritu

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