Bacurau (2019)

Bacurau (2019)

Dirigido por Kleber Mendonça Filho & Juliano Dornelles

Fotografia de Pedro Sotero

Olhar técnico

Por que este filme

Pedro Sotero construiu uma gramática de movimento que muda conforme o filme muda de gênero. No início, a câmera é contemplativa, quase etnográfica — estamos num vilarejo do sertão. Depois, quando os caçadores chegam, o movimento se torna predatório. A câmera caça. E no ato final, quando o povo se defende, a câmera se torna coletiva — ela pertence à comunidade.

Cenas-chave para estudar

  • A abertura vista do espaço — o drone descendo lentamente até o vilarejo, o movimento de aproximação como colonização do olhar
  • Os caçadores com suas câmeras-arma — o ponto de vista em primeira pessoa dos assassinos, a câmera como mira, o movimento como predação
  • A resistência nos túneis — câmera claustrofóbica, rente ao chão, os movimentos dos moradores como coreografia de guerrilha

O que você vai aprender a ver

  • Compreender como o movimento de câmera pode mudar de registro conforme o gênero do filme se transforma
  • Analisar a câmera-drone e a câmera subjetiva como ferramentas que carregam ponto de vista político
  • Estudar como Bacurau usa referências do cinema de gênero (faroeste, sci-fi, horror) e as traduz em movimento de câmera brasileiro

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