O Quinto Império - Ontem Como Hoje (2004)

O Quinto Império - Ontem Como Hoje (2004)

Realizado por Manoel de Oliveira

Fotografia de Sabine Lancelin

Olhar técnico

Porquê este filme

O Quinto Império é Oliveira no seu modo mais teatral e mais radical. A palavra é sagrada neste filme — cada frase de Gil Vicente ou de Camões é pronunciada como liturgia. O som é quase exclusivamente vocal, e o silêncio entre as falas é o silêncio de um país inteiro à espera do seu destino.

Cenas-chave para estudar

  • O monólogo de D. Sebastião — a voz de Ricardo Trêpa ecoa num espaço vazio, cada palavra pesa como uma profecia, o silêncio a seguir é denso
  • A cena de Gil Vicente — texto do século XVI dito em palco nu, a voz é o único ornamento, o som cria todo o espaço cénico
  • O plano final — silêncio absoluto após a última palavra, o ecrã permanece, o espectador fica sozinho com o eco do que ouviu

O que vais aprender a ver

  • Compreender a voz humana como principal ferramenta sonora de um filme — quando a palavra substitui toda a banda sonora
  • Analisar a herança teatral no cinema de Oliveira e como o tratamento sonoro cria o espaço cénico
  • Estudar o silêncio como ferramenta cultural — como a ausência de som pode traduzir conceitos colectivos como a saudade e o sebastianismo

Mais filmes com este olhar

A carregar detalhes do filme...