Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976)

Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976)

Dirigido por Bruno Barreto

Fotografia de Murilo Salles

Olhar técnico

Por que este filme

Murilo Salles criou duas paletas de cor para os dois maridos de Dona Flor — e isso é genial. Vadinho é calor, é vermelho, é amarelo, é a Bahia transando. Teodoro é frio, é bege, é cinza, é a Bahia rezando. E Dona Flor, no meio, veste todas as cores porque ela precisa dos dois mundos. A cor É a bigamia.

Cenas-chave para estudar

  • Vadinho no Carnaval — vermelhos, dourados, pele brilhando de suor, a cor como febre, como apetite, como vida demais
  • O casamento com Teodoro — tons pastéis, beges, azuis claros, a paleta da respeitabilidade que sufoca e acalma ao mesmo tempo
  • Dona Flor entre os dois na cama — a colisão cromática dos dois mundos, o corpo dela como fronteira entre o desejo e a ordem

O que você vai aprender a ver

  • Compreender como a paleta de cores pode ser atribuída a personagens específicos para traduzir sua personalidade e energia
  • Analisar como a cor comunica desejo, repressão e liberação sem precisar de diálogo
  • Estudar a tradução visual da literatura de Jorge Amado — como transformar a Bahia literária em Bahia cromática

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