Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)

Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)

Dirigido por Glauber Rocha

Fotografia de Waldemar Lima

Olhar técnico

Por que este filme

Glauber Rocha montou este filme como se estivesse compondo música de cordel — com saltos, repetições, refrãos visuais. A montagem não segue a lógica narrativa clássica. Ela segue o ritmo do sertão, o ritmo do transe, o ritmo da fome. Cortes bruscos, jump cuts antes de Godard, sequências que se repetem como versos. É montagem como literatura oral.

Cenas-chave para estudar

  • O ritual do beato Sebastião — montagem repetitiva, hipnótica, que acelera até o êxtase, os cortes seguindo o ritmo da reza e da loucura
  • Corisco no sertão — cortes secos como golpes de facão, a violência do cangaço traduzida em ritmo de montagem
  • Manuel e Rosa no mar final — a montagem abre, respira, o ritmo se expande como o horizonte, a liberdade como cadência nova

O que você vai aprender a ver

  • Compreender como Glauber Rocha criou uma linguagem de montagem especificamente brasileira, enraizada na cultura oral do sertão
  • Analisar o uso da repetição como ferramenta de montagem — o refrão visual como equivalente do cordel e da cantoria
  • Estudar como a montagem pode rejeitar as regras de continuidade clássica e criar sua própria gramática cultural

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