O Sangue (1989)

O Sangue (1989)

Realizado por Pedro Costa

Fotografia de Martin Schäfer

Olhar técnico

Porquê este filme

O Sangue, a primeira longa-metragem de Pedro Costa, é filmada num preto e branco tão denso que parece ter cor. Martin Schäfer criou uma paleta monocromática que vai do branco incandescente ao negro absoluto, com todos os cinzentos possíveis entre eles. É uma lição sobre como a ausência de cor pode ser mais rica que qualquer paleta.

Cenas-chave para estudar

  • As cenas na floresta nocturna — os cinzentos fundem-se num negrume orgânico, as árvores e os corpos distinguem-se por texturas, não por cores
  • O rosto do irmão mais novo — a pele tem uma luminosidade que o preto e branco amplifica, cada poro é visível, a intimidade é total
  • A sequência do rio — a água reflecte a luz numa escala de cinzentos que é hipnótica, a monocromia revela padrões invisíveis a cores

O que vais aprender a ver

  • Compreender a riqueza tonal do preto e branco — quando a ausência de cor se torna linguagem cromática autónoma
  • Analisar o preto e branco como escolha contemporânea (não nostálgica) e o que se ganha quando se renuncia à cor
  • Estudar a influência do expressionismo e do cinema clássico na primeira obra de Pedro Costa

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