Amor de Perdição (1979)

Amor de Perdição (1979)

Realizado por Manoel de Oliveira

Fotografia de Manuel Costa e Silva

Olhar técnico

Porquê este filme

Manoel de Oliveira tinha setenta anos quando fez este filme de quatro horas e meia, e cada plano é composto com a precisão de um arquitecto barroco. Oliveira não filma — constrói. Cada enquadramento é uma decisão sobre onde colocar o amor, a paixão e a tragédia dentro de um rectângulo.

Cenas-chave para estudar

  • Simão e Teresa nas janelas opostas — composição simétrica que os une visualmente mas os separa fisicamente, o espaço entre eles é o próprio drama
  • A cena do convento — Teresa enquadrada por grades e pedra, a composição transforma o espaço sagrado em prisão
  • Simão na prisão — Oliveira compõe planos cada vez mais fechados, as paredes estreitam-se, a composição sufoca como a narrativa

O que vais aprender a ver

  • Compreender a composição como instrumento narrativo — como a disposição dos elementos no enquadramento pode contar a história
  • Analisar a influência da arquitectura barroca portuguesa na composição cinematográfica de Oliveira
  • Estudar como a duração longa (filme de 4h30) permite uma atenção à composição impossível em formatos curtos

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